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O ensino da Matemática assume um papel importante no desenvolvimento dos estudantes pois mostra-se de grande utilidade, apela ao engenho de cada um e é uma fonte ilimitada de desenvolvimento. Também a aprendizagem se revela fundamental uma vez que se relaciona com a própria língua e com o que tem associado de sensibilidade, cultura geral e formação do próprio espírito. Contudo a escola não oferece condições favoráveis de desenvolvimento. A Matemática assume para os Físicos um papel fundamental pois é necessária para a construção de modelos e teorias físicas. Estes utilizam uma Matemática que ainda não está feita, ou seja, Físicos que motivados pela necessidade e guiados pela intuição se abalançam com “ métodos grosseiros “ elaborada para uso próprio. Contudo também na Engenharia recorrem a ela, não há trabalho sério e importante que não tenha um grande suporte Matemático. Para estes o problema é o de fazer cálculos. No futuro uma das funções dos Engenheiros será criar programas de computador que resolvam problemas complexos ainda não resolvidos. Existem duas componentes, uma de formação de Matemáticas nas faculdades de ciências e outra em que se engloba o ensino de Matemática facultado á generalidade dos cidadãos. A primeira tem vindo a melhorar desde o início da década de 70, anteriormente não tinham condições para formar escola, hoje temos talvez uma dezena de centros universitários. A batalha pela criação de condições para formar Matemáticos foi ganha depois do 25 de Abril. A segunda encontra-se numa situação de catástrofe pois tem vindo a piorar hoje perdeu-se a noção de um ensino normal, não existe prazer em resolver um simples problema de matemática. Penso que os matemáticos e os cientistas devem estar atentos, de forma a melhorar a situação em que nos encontra-mos. É preciso conciliar, concentrar e economizar esforços de forma a evitar o empobrecimento e bloqueamento da ciência portuguesa . Também é revelante usar-mos este ano Mundial da Matemática, para reflectir-mos sobre a situação deplorável do ensino base. Espero que com os possíveis encontros para a resolução do problema, o Ministro crie uma comissão que o aconselhe na matéria. Este deverá actuar sobre duas vertentes. A primeira consiste na tomada de medidas de forma a resolver os piores defeitos do sistema e a segunda no encorajamento de experiências inovadoras e localizadas, dirigidas a equipas que testem novas soluções. No início da década de 70 a experiência do professor Sebastião e Silva em vários liceus de Lisboa deixou textos que mais tarde foram editados em livros e seria de grande utilidade que o Ministério promova a divulgação destes. A matéria ensinada no secundário é um horror. Prova disso são os exames do 12º ano. Problemas de convergência de séries são verdadeiros casos patológicos. É necessário evitar o estudo odioso (por parte do estudantes) na base dos reflexos, que esquecem imediatamente a seguir sem se terem apercebido do papel das séries na matemática. Estas devem ser muito bem estudadas, séries com termos em progressão geométrica por todos os estudantes e as séries harmónicas pelos estudantes com algum nível. O insucesso escolar é o insucesso do sistema educativo. O sistema do ensino secundário Português evolui para pior porque, durante duas décadas, funcionou como um sistema fechado que não soube criar os mecanismos de aproveitamento e desaproveitou sistematicamente os contributos que lhe podiam vir de fora, nomeadamente no caso da matemática os melhores professores e investigadores do ensino superior que são quem sabe para que serve a matemática. Trata-se então de maximizar o problema da matemática de modo a torná-la no secundário, uma disciplina útil, agradável e acessível. Os alunos Argelinos e da África negra, tinham o liceu Francês que é um bocado trabalhoso, mas que está na mão das pessoas com muita experiência e uma sólida formação cientifica. Na escola quase não havia insucesso. No Brasil todas as escolas superiores faziam exames de acesso, em escolas de prestigio e eliminavam os piores estudantes (e talvez alguns dos melhores). Em Portugal as escolas superiores estatais não têm o direito de escolher os seus estudantes pois são obrigados a aceitar os estudantes seriados por critérios do secundário e o insucesso no seu interior é muito grande. O sistema não pode ser alterado bruscamente mas se ás escolas fosse permitido escolher os candidatos, indicando-a estes as matérias que consideravam importantes e em que se deviam preparar o sistema ganharia diversidade e podia começar a ser desbloqueada. Patrícia Dias (M. A. – 3º ano) com a colaboração de Luís Guarda (M.E. – 2º ano), Rui Macedo (M.E. – 2º ano) e Miguel Angelo (M.A. – 4º ano) |